REDES LÍQUIDAS

Este é o tema do segundo capítulo do livro “De onde vêm as boas ideias” de Steven Johnson. Primeiramente, o autor propõe a “rede” como a melhor metáfora para descrever as boas ideias.

“Uma nova ideia é uma rede de células explorando o possível adjacente de conexões que elas podem estabelecer na nossa mente.”

“Os neurônios se comunicam de maneiras diferentes. As redes assumem formas distintas. A questão é como impelir nosso cérebro para essas redes mais criativas. Acontece que a resposta é maravilhosamente fractal: para tornar nossa mente mais inovadora, temos de inseri-la em ambientes que compartilhem daquele mesmo tipo característico de rede; isto é, em redes de ideias ou pessoas que imitem as redes neurais de uma mente que explora os limites do possível adjacente.”

Por que redes líquidas?

“Na forma de gás, o caos impera; novas configurações são possíveis, mas a todo instante são rompidas e despedaçadas pela natureza volátil do ambiente. Enquanto sólido, acontece o contrário: os padrões têm estabilidade, mas são incapazes de mudança. Uma rede líquida, porém, cria um ambiente mais promissor para o sistema explorar o possível adjacente. Novas configurações podem emergir por meio de conexões aleatórias formadas entre as moléculas, mas o sistema não é tão instável a ponto de destruir num instante as próprias criações.”

Um exemplo para rede líquida:

“A pesquisa de Dunbar sugere uma ideia vagamente tranquilizadora: mesmo com todos so avanços tecnológicos de um dos principais laboratórios de biologia molecular, a ferramenta mais produtiva para gerar boas ideias continua a ser um círculo de seres humanos sentados em volta de uma mesa, discutindo questões do trabalho. A reunião de laboratório cria um ambiente em que novas combinações podem ocorrer e a informação pode transbordar de um projeto para outro. Quando trabalhamos sozinhos num gabinete, olhando num microscópio, nossas ideias podem ficar emperradas, presas aos nossos preconceitos iniciais. O fluxo social da conversa em grupo tranforma esse estado sólido privado numa rede líquida.”

Quanto um espaço físico de trabalho pode favorecer a rede líquida?

A relação é direta e existem algumas alternativas interessantes:

1. Os espaços comuns são fundamentais neste processo. O exemplo clássico é o da Pixar que, em sua sede, apresenta um átrio central onde as pessoas são obrigadas a passar para entrar e sair, promovendo o encontro entre pessoas.

2. Algumas empresas apostam em escritórios não territoriais, ou seja, sem lugares definidos de trabalho onde os funcionários são estimulados a se agrupar em novas configurações dependendo do projeto.

3. Espaços modulares podem ajudar, neste caso as paredes podem ser mudadas de lugar mesclando áreas de trabalho individual e pontos de encontro como o café, a cozinha ou a mesa de reunião.

Vale lembrar que o desafio de equilibrar a ordem e o caos (rede líquida) não se resolve quebrando todas as paredes do ambiente de trabalho, tornando-o um lugar público. O trabalho individual e concentrado também é parte chave do processo a ser mesclada com a discussão, as áreas em comum e a circulação de pessoas.

JOHNSON, Steven. De onde vêm as boas ideias. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.